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fev 26 2015

O Olho de Horus – Dendera, O Amanhecer da Astronomia (Episódio 7) – Parte 2

O Olho de Horus.
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Milhares de pessoas – O Complexo de Dendera podia abrigar milhares de pessoas. e no interior dos seus muros existia uma outra série de construções, que reunia padarias, cervejarias, cozinhas, armazéns, silos, as dependências dos sacerdotes e iniciados, e centenas de abóbodas. Ao redor de seus muros externos, o povo construiu suas casas, dai surgiu um pólo de desenvolvimento sob o cuidado dos guardiães do conhecimento, os sacerdotes do olho de Hórus. O desenho da fachada do Templo de Hathor é diferente do templo egípcio tradicional, pois suas colunas frontais estão unidas até meia altura por muros extremamente decorados.

Seu acesso se faz através das 18 colunas do salão da vida, que sustenta um elevadíssimo céu raso totalmente talhado com informações sobre os astros e seus movimentos. Sendo a abóboda deste céu sustentada simbolicamente pelas colunas de Hathor.

Cada coluna tem a forma de um cistro, um instrumento sagrado que faz vibrar uma série de discos de metal, utilizado pela sacerdotisa de Hathor, padroeira da dança e da música, para produzir uma vibração que adormece a consciência. No alto o capitel esta formado por 4 rostos de Hathor talhados, cada um olhando a um ponto cardeal, simbolizando que sua força pode ser sentida em todas as partes do mundo. Seus olhos de serpente e suas orelhas de vaca, símbolo da maternidade e da nutrição, formam uma imagem quase extraterrestre, associada em inúmeras lendas ao planeta Vênus.

O Templo foi encontrado em excelente estado, pelas tropas de Napoleão, por ter ficado sepultado pela areia por milhares de anos. Converteu-se em refugio para as tribos nômades, que com suas fogueiras defumam as cores do belo céu raso. No céu raso do grande salão os últimos sacerdotes de Dendera talharam as ultimas tábuas astronômicas que ainda conservavam produzidas por várias gerações de sacerdotes de forma a impedir que esse conhecimento desaparecesse para sempre.

O Zodíaco e os salões especiais

 

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Todas as constelações que formam os signos do zodíaco aparecem representadas em suas barcas simbólicas com imagens do Luth, símbolo dos céus que devorava os céus todas as noites para que renascesse ao amanhecer. Os sacerdotes decidiram transcrever nos muros desses templos alguns papiros importantes, como os registros astronômicos que foram salvos da destruição de Kamsés, com o intuito de preserva-los para gerações futuras.

No salão chamado A Casa da Vida, os escribas trabalhavam nos papiros sagrados, nos tratados teológicos nas orações dos rituais, nas tabelas de registros astronômicos. A arte, a teologia, a magia, a astronomia e a medicina foram ensinadas aos discípulos da escola de mistérios neste grande salão. Neste salão foi registrada a mudança regular e sistemática das constelações circumpolares para acompanhar a precessão dos equinócios.

Atravessando-se o altíssimo salão chega-se ao salão das aparições, uma câmara mais baixa sustentada por 6 colunas de onde surgia da penumbra se seu santuário a brilhante estátua dourada da deusa Hathor ao sair para cerimonias religiosas e procissões. Na sua parte superior encontram-se as capelas dedicadas a Osíris, o símbolo do processo de aperfeiçoamento vivido por todo o ser humano através da reencarnação para transmutar, em muitas vidas, sua animalidade original e se converter num super homem. Uma das capelas tem o famoso zodíaco de Dendera, que ilustra como ocorre este processo, enquanto o sistema solar da um giro ao redor da galáxia e a outra ilustra o mito de Osíris. Em Torno desse salão encontram-se os 6 salões dos rituais diários. O primeiro guardava os objetos dedicados a ao culto.

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O salão da purificação, que tem um porta que conduz ao lago sagrado, era utilizado ao amanhecer em sues rituais de limpeza, Os templos tinham um lago sagrado, escavado até chegar-se ao nível do lençol de água da região, forrado de pedras e com uma série de escadas que permitiam aos sacerdotes entrar na água para purificar-se antes do inicio de seu serviço no templo. No salão seguinte organizavam-se os oficios, conduzia ao corredor de acesso a escada de caracol que chega ao terraço do templo, utilizada a noite no registro da abóboda celeste.

Do lado esquerdo o salão do fundo comunicava-se com o exterior para receber as oferendas que todos os dias o povo levava a seus guias espirituais. Os mantimentos de animais dedicados ao sacrifício eram armazenados e preparados nas duas outras câmaras. Pelo salão das aparições chega-se ao corredor das duas escadas do templo, a direita a escada de caracol simbólica, por onde subia a procissão por onde subia o santuário portátil, a barca de ouro com a imagem de Hathor, até o terraço para aguardar a aparição do sol no solstício de verão. Simboliza a escada da luz, cada degrau a vida mais acima na escala da consciência, a matéria que se eleva até o espírito. E a esquerda tem-se acesso a uma longa escada reta por onde descia a procissão trazendo o fogo novo. A escada reta representa o espírito que novamente baixa a terra para condensar-se na matéria, com o objetivo de viver experiência que lhe permitam compreender o universo.

 

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Atravessando-se este pórtico, chega-se a antecâmara do santuário, onde ardia o fogo, o instrumento dos deuses, a primeira substancia do universo, a forma mais elementar da matéria. Ali faziam as oferendas a Hathor, o principio feminino gerador da vida no universo. A esquerda deste salão estava a capela onde se guardava a barca de ouro, o santuário portátil, símbolo do movimento físico do sol. A barca da vida era usada para levar a imagem de Hathor no dia da lua nova, no terceiro mês do verão, durante o festival do belo encontro em uma procissão florida pelo Nilo até o templo de Horus em Edfu. Um espaço aberto sem teto também se comunicava com a antecâmara do santuário. Frente a ele estava a chamada Capela Pura. As figuras simbólicas eram levadas a este espaço aberto para que renovassem suas forças ao serem recarregadas com a energia solar.

A medida que se adentra, o templo torna-se mais escuro, os tetos mais baixos e as porta mais estreitas, o chão se eleva claramente para demarcar o santuário até a estrela Alfa Draconis sobre as cabeças dos espectadores das cerimônias. E finalmente, no mais profundo do templo, sobre seu eixo principal, chega-se ao seu coração, o seu espaço mais sagrado, o lar de Hathor, sua figura de ouro, a carne simbólica dos deuses, com seus olhos de pedras semipreciosas ficava encerrada num pequeno tabernáculo. Somente o faraó e os altos sacerdotes da escola de mistério do Olho de Horus podiam entrar ali, após uma intensa cerimonia de purificação com água.

A parte Masculina e a Parte Feminina de Deus

Os egípcios entenderam que como todos os seres no universo, deus tem uma parte masculina emissora da qual flui a informação e uma parte feminina que a recebe para gerar com sua substancia tudo que é criado. Ao deus masculino deram três nomes:

Chamaram-no Atum, quando ainda não havia criado o universo e permanecia não manifesto;

Chamaram-no Ptah, quando organizou e criou o universo, as estrelas, os planetas e os Reinos naturais;

Chamaram-no Amon-Ra, quando sobre toda a criação deu lugar a consciência do homem

De forma similar também deram três nomes a sua parte feminina:

Chamaram-na de Nun, quando era apenas uma substancia homogênea, virginal, sem forma, em estado de perfeito equilíbrio, o líquido amniótico do universo não manifesto;

Chamaram-na Sekhmet, quando se polarizou em duas forças opostas, que a transformaram numa substancia radiante, um fogo, um principio multiplicador em movimento que gera Nefertum, o universo que reconcilia e harmoniza temporalmente as forças opostas.O fogo produz o movimento, o tempo e o espaço, sua intensidade que coagula produz os estados sucessivos da matéria, o ar, a água,a terra e por último a força da vida, representada por Hathor, a substancia que gera e multiplica as consciências que experimentam o espaço tempo;

Chamaram-na Mut, quando gerou as 4 forças que impulsionam a consciência evolutiva do homem. As 4 forças são: Osíris, Ísis, Seth e Nephtis. Entendendo Hathor desta forma ela é a barca da vida, a barca da luz, representa o amor, a matriz das consciências do universo. A barca do norte que contem o principio de toda a natureza. No seu tabernáculo, Hathor, a força da vida recebia as preces dos que queriam prolonga-la ou curá-la. Em torno do seu Santasantorum um corredor perimetral aos muros dos templos dava acesso a uma série de capelas, espaços sagrados dedicados a todas estas forças fundamentais. Essas capelas eram reconhecidas desde fora pelos desenhos talhados de seus símbolos sagrados no muro exterior do templo e permitiam que o povo, que não podia entrar, pois só tinham acesso os sacerdotes e os iniciados, orasse e pedisse ajuda as forças fundamentais do universo.

A direita da capela do ouvido de Hathor, duas capelas que se comunicavam era dedicadas a adoração do único deus, o criador da consciência do homem, o que esta em todas as partes, Amom-rá, com seus símbolos também talhados no muro externo. As duas capelas da esquerda continham as imagens que simbolizavam as forças fundamentais do baixo Egito, todas relacionadas com hathor e seu instrumento musical, o sistro. Quatro santuários a direita dedicados a Horus, a Sokar, a Ísis e por último ao Nomo de Dendera, o patrono ou santo da região do Egito onde se localizava o templo. Havia outra capela que continha o colar de Menat, um colar utilizado pelo sumo sacerdote nas cerimonias e procissões com 4 imagens de Hathor, cada uma com um trono simbólico na parte de cima. Os quatro tronos representavam os poderes supremos do universo: o amor, a sabedoria, a força infinita da vontade divina e a harmonia.

Sob o piso desses espaços existiam uma série de criptas onde eram guardados os elementos mais sagrados, as peles escritas e os papiros mais secretos relativos a revelação desse templo. Essas criptas tem uns misteriosos baixos relevos de horus que sustentam uma espécie de flor com uma serpente em seu interior. Teorias cientificas afirmam que se trata das lâmpadas que utilizaram para iluminar suas câmaras e construções sobre o solo. Ao subir a escada reta chega-se ao terraço, o espaço dedicado ao registro da abóboda celeste. No canto sudoeste do terraço encontrava-se o quiosque onde os sacerdotes esperavam a aparição das estrelas e a saída do sol no ano novo que acendia com seus raios o novo fogo. Numa pequena cobertura do terraço os sacerdotes se reuniam a noite, dividindo a abóboda celeste em setores chamados nomos, com o objetivo de identificar os movimentos do firmamento e do planeta.

 

PARTE 3


Fonte: O Arquivo

Editado por: Arquivo X do Brasil

 

 
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