)

set 16 2016

Humanóides, Ovnis e a Mídia

John B. Alexander.
(Clique na imagem para amplia-la)

Chega ao público a notícia de que um “humanoide” de 15cm foi descoberto há uma década no deserto mais seco do planeta, o de Atacama, no Chile. As manchetes sugerem que a autenticidade da história foi confirmada por cientistas altamente credenciados.

Com o apoio da mídia exagerada, o grande interesse público neste assunto traduziu-se em milhões de acessos nas páginas relacionadas ao caso no site do Huffington Post.

Humanoide descoberto no Deserto do Atacama.
(Clique na imagem para amplia-la)

Verdade é que os pesquisadores realizaram um trabalho sério de examinação do corpo. Os pareceres dizem, para não deixar dúvidas, que “o perito médico conclui que o espécime é uma criança humana aparentemente acometida por uma forma grave de nanismo”. A palavra chave aqui é “humana” e não “humanóide”. Vale lembrar que os promotores do filme Sirius usam o termo “humanóide” repetidamente em sua publicidade.

Apesar de enganosa, a afirmação pode ser verdadeira se concordarmos que “todos os humanos são humanóides, mas nem todos os humanóides são humanos”. Entretanto, esta não é a forma geral como se entende o assunto, e a maioria dos leitores considera “humanóide” como algo similar, porém diferente de humano. Fora do campo biológico, o termo é também muito usado para classificar robôs que têm a forma humana. 

Trabalho sério de examinação do corpo.
(Clique na imagem para amplia-la)

A propagação de exageros e fraudes não é benigna e sempre acabará prejudicando as propostas de uma pesquisa legítima nesta área. Isso é ainda mais verdadeiro se considerarmos a abordagem de P.T. Barnum.

Cientistas de carreira têm todo o direito de ser extremamente céticos diante de alegações de fenômenos anormais de qualquer tipo. Apesar de provas substanciais e abundantes sustentando assuntos como visão remota, psicocinese, cura alternativa, experiência de quase morte e ovnis, os grandes cientistas geralmente se esquivam de qualquer associação com pesquisas sobre esses assuntos polêmicos.

Cautela nunca é demais, pois pesquisadores que enveradam por este caminho acabam com a reputação atingida por ataques dirigidos. Os cientistas dependem de sua reputação para sobreviver, uma vez que financiamento externo é quase sempre necessário para sustentar seus projetos de pesquisa.

Qualquer observador experiente sabe que nenhum dos já premiados, nem mesmo os laureados com o Nobel, poderia vencer o escárnio que pode atingir um cientista que se aventure para além do conhecimento convencional. O professor emérito da Universidade de Stanford e vencedor do prêmio Arctowski, Peter Sturrock, discorre lindamente sobre esses problemas em seu livro intitulado A Tale of Two Sciences. Seria ingênuo acreditar que os cientistas “seguirão os dados” venham estes de onde vierem. Do ponto de vista profissional é muito melhor passar a batata quente para outro do que anunciar um grande furo. Isso vale mais ainda para os casos em que precisamos reexaminar as “leis” científicas estabelecidas. 

Um exemplo clássico de uma declaração que ganhou uma exposição exagerada na mídia foi o anúncio dos cientistas da Universidade de Utah, Stanley Pons e Martin Fleischmann, que, em 1989, declaravam terem descoberto a “fusão a frio”. Como o calor gerado pelas reações nucleares representam enormes custos, uma fusão a temperatura ambiente seria um grande furo tecnológico.

A promessa de energia nuclear barata acabou virando um circo na mídia. Embora Pons e Fleischmann pareçam ter encontrado reações químicas singulares, a divulgação pública sem uma revisão prévia e o emprego do termo “fusão” levaram os dois ao descrédito atraindo uma rejeição aberta a suas descoberta pela maioria dos cientistas convencionais.

Apesar de Fleischmann ter sido considerado um dos principais eletroquímicos do mundo e de haver também algumas provas da reação a baixa temperatura, foi o excesso da mídia combinado com o anúncio nada ortodoxo que fizeram com que “fusão a frio” virasse sinônimo de “ciência mal feita”. É verdade que alguns poucos projetos sobre “fusão a frio” tiveram seqüência, mas as conseqüências para a área foram desastrosas. Por falta de informação, mesmo o público geral acabou considerando a “fusão a frio” uma piada e exemplo de besteirol científico.

Stanley Pons e Martin Fleischman.
(Clique na imagem para amplia-la)

Apesar dos substanciais avanços que trouxe ao nosso padrão de vida, a ciência está com sua reputação em declínio. Se houve um tempo em que os cientistas eram reverenciados pela sociedade, esta confiança gradualmente diminuiu, e com razão, enquanto mais e mais projetos caíram em descrédito.

A causa das preocupações é quase sempre a falta de transparência sobre os fontes de financiamento e os interesses velados na divulgação de resultados definidos de antemão.

Grupos de interesse particular dominam várias áreas de pesquisa, como energia e medicina, ao mesmo tempo em que os gigantes alimentícios pressionam por apoio aos transgênicos e seu suposto direito de patentear formas de vida.

Infelizmente, cada vez mais a influência política tem se misturado com a ciência, e nada é mais ilustrativo do que a questão do aquecimento global. Temendo os efeitos negativos e curvando-se diante da excessiva influência do National Rifle Association (NRA), o Congresso dos EUA chegou a proibir os Centros para Controle e Prevenção de Doenças de pesquisar as relações causais entre ligadas às armas de fogo. É neste tipo de ambiente que os pesquisadores têm que trabalhar.

Fusão a frio.
(Clique na imagem para amplia-la)

O ceticismo racional é saudável a qualquer ramo da ciência, pois coloca o ônus da prova sobre aqueles que alegam alguma descoberta. E a grande verdade a respeito dos fenômenos anômalos é que muitos céticos buscam apenas desmascarar com inclinação a destruir os temas, independentemente dos fatos.

A tática destes inclui atacar qualquer ponto fraco, depois explorar isso ao máximo. Ou seja, se o ponto A estiver errado, descarte todo o resto.

Embora a produção do filme Sirius soubesse, ou pelo menos deveria saber, que sua própria pesquisa jamais sustentou a idéia de que o referido espécime fosse algo não humano, eles continuaram a ventilar as manchetes que inferiam a possibilidade de origem não humana.

O DNA mitocondrial pode rastrear a linhagem materna de todas as espécies e este exemplar do Atacama foi identificado como descendente de uma mãe chilena. Como algum material genético permaneceu não identificado, alguns realmente crédulos sugeriram a possibilidade de o pai ser um alienígena de natureza extraterrestre, embora tal possibilidade tenha sido descartada no relatório. Uma idéia freqüente de alguns nesta área é a de que alienígenas chegam em ovnis com o propósito de criar uma linhagem híbrida.

Vários repórteres, entre eles Lee Spiegel do Huffington Post, destacaram a incongruência entre a propaganda e o produto final. De qualquer modo, o exagero descabido neste caso terá consequências negativas para os verdadeiros pesquisadores que queiram realizar investigações responsáveis nesta área.

Eu, também, tenho uma intenção. Esta é a de defender a causa para tornar possível aos cientistas sérios estudar os vários aspectos dos fenômenos anômalos sem colocar em risco sua reputação ou seu meio de subsistência. Assim como nas questões de gênero, há também muitos cientistas que se mantêm no armário com relação aos seus interesses nestas áreas polêmicas. Alguns deles tiveram experiências pessoais que desafiam as explicações comumente aceitas.

O verdadeiro problema do exagero midiático em torno do humanoide é que isso acaba sustentando alegações de céticos que classificam o tema como uma pseudociência. Os céticos atiram para todos lados e este incidente servirá para inibir novas pesquisas em vários setores, alguns deles de importância teológica.

Vídeo “Steven Greer divulga Atacama Humanoid Origins” Inglês, ative a tradução do Youtube.

Fonte: Revista UFO
Por John B. Alexander, Ph.D. Militar Veterano Aposentado e Conselheiro Sênior na Universidade de Operações Conjuntas Especiais
Tradução: Eduardo Rado
Editado por: Arquivo X do Brasil

 
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

Deixe um comentário