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out 15 2016

As religiões do planeta estão preparadas para os extraterrestres?

Créditos: Springer.
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Em 1930, Albert Einstein foi perguntado sobre sua opinião sobre a possibilidade de vida em algum outro lugar do Universo. “Outros seres, talvez, mas não homens”, ele respondeu. Então ele foi perguntado se a ciência e a religião conflitavam. “Não exatamente, apesar disso depender, é claro, de suas visões religiosas.”

Pelos últimos 10 anos, a nova habilidade dos astrônomos para detectar planetas orbitando outras estrelas elevou esta questão para fora do reino da filosofia, como era para Einstein, e a transformou em algo que os cientistas poderão logo serem capazes de responder.

A percepção de que a natureza do debate sobre a vida em outros mundos está para mudar fundamentalmente levou o professor de astronomia David Weintraub a começar a pensar seriamente sobre a questão de como as pessoas reagirão à descoberta de vida em outros planetas. Ele percebeu, como Einstein tinha observado, que a reação das pessoas seria fortemente influenciada por suas crenças religiosas. Então ele decidiu descobrir o que maiores religiões do mundo têm a dizer sobre o assunto. O resultado é um livro intitulado “Religiões e Vida Extraterrestre” (Springer International Publishing) publicado em outubro de 2014.

“Quando fiz uma busca em bibliotecas, eu encontrei apenas meia dúzia de livros e eles eram todos escritos sobre a questão da vida extraterrestre e o cristianismo, e a maioria sobre o catolicismo romano, então eu decidi dar uma olhada mais ampla”, disse o astrônomo.

Créditos: Springer.
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Como resultado, seu livro descreve o que os líderes religiosos e teólogos têm a dizer sobre a vida extraterrestre em mais de duas dúzias das maiores religiões, incluindo o Judaísmo, Catolicismo Romano, as igrejas ortodoxas orientais, a Igreja da Inglaterra e a Comunhão Anglicana, Sociedade Religiosa dos Amigos (Quakers ou Quacres), Adventismo do Sétimo Dia e Testemunhas de Jeová, Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias (Mórmons), Islamismo e diversas grandes religiões asiáticas, incluindo o Hinduísmo, Budismo e a Fé Bahá’í.

Descoberta de planetas

O notável progresso que os astrônomos fizeram em detectar exoplanetas dá à questão de vida extraterrestre um novo senso de imediatismo. Em 2000, astrônomos detectaram 50 planetas orbitando outras estrelas. Hoje, o número cresceu para mais de 1.000. Se a taxa de descoberta mantiver seu ritmo atual, os astrônomos terão identificado mais de um milhão de exoplanetas pelo ano de 2045.

“Se mesmo um exoplaneta mostrar sinais de atividade biológica – e estes sinais não devem ser difíceis de detectar, se seres vivos estiverem presentes –, então saberemos que a Terra não é o único lugar no Universo onde a vida existe”, aponta Weintraub. “Apesar de ser impossível provar uma negativa, se não tivéssemos encontrado nenhum sinal de vida depois de um milhão de exoplanetas terem sido estudados, então saberíamos que a vida no Universo é, na melhor das hipóteses, extremamente rara.”

Pesquisas de opinião pública indicam que aproximadamente de um quinto a um terço do público americano (dos EUA) acredita que extraterrestres existam, relata Weintraub. No entanto, isto varia consideravelmente de acordo com a afiliação religiosa.

Crença de extraterrestres varia com a religião

  • 55% dos ateístas
  • 44% dos muçulmanos
  • 3% dos judeus
  • 36% dos hindus
  • 32% dos cristãos

Dos cristãos, mais de um terço dos fieis ortodoxos orientais (41%), católicos romanos (37%), metodistas (37%) e luteranos (35%) professaram a crença em vida extraterrestre. Apenas os batistas (29%) ficaram abaixo do limiar de um terço.

Religiões asiáticas teriam a menor dificuldade em aceitar a descoberta de vida extraterrestre, concluiu Weintraub. Alguns pensadores hindus já especularam que humanos podem reencarnar como alienígenas, e vice-versa, enquanto a cosmologia budista inclui milhares de mundos habitados.

Weintraub cita passagens do Qur’an (Alcorão) que parecem apoiar a ideia de que seres espirituais existem em outros planetas, mas nota que estes seres podem não praticar o Islã como é praticado na Terra. “O Islã, como outras fés, possui tradições fundamentalistas e conservadoras. Todos os muçulmanos, no entanto, provavelmente concordariam que a religião profeticamente revelada do Islã é um conjunto de práticas designadas apenas para humanos na Terra”, escreveu Weintraub.

Weintraub descobriu bem pouco em escrituras judaicas ou escritos rabínicos que se relacionam com a questão. Os poucos comentários talmúdicos e cabalísticos sobre o assunto afirmam que o espaço é infinito e contém potencialmente um número infinito de mundos e que nada pode negar a existência de vida extraterrestre. Ao mesmo tempo, os judeus não acreditam que a descoberta de inteligência extraterrestre teria muito efeito sobre eles. Ele cita um antropólogo e estudioso judeu que abordou este assunto e concluiu que a relação entre os judeus e Deus não seria afetada nem um pouco pela “existência de outras formas de vida, realidades científicas recém descobertas ou mudanças comportamentais pan-humanas.”

Debate Cristão

Entre as religiões cristãs, os católicos romanos têm realizado a maior parte do pensamento a respeito da possibilidade de vida em outros mundos, o astrônomo descobriu. De fato, eles têm realizado um debate teológico continuado de indas e vindas que tem ocorrido por uns mil anos.

O cerne da questão é o pecado original. Se alienígenas inteligentes não são descendentes de Adão e Eva, eles sofrem do pecado original? Eles precisam ser salvos? Se precisam, então Cristo os visitou, foi crucificado e ressuscitou em outros planetas? “De uma perspectiva católica romana, se extraterrestres conscientes existem, algumas, mas talvez não todas estas espécies podem sofrer com o pecado original e requerirão redenção”, resume Weintraub.

A diversidade inerente das denominações protestantes, onde os indivíduos são encorajados a interpretar as escrituras independentemente, levou a muitas abordagens conflitantes sobre a questão da inteligência extraterrestre. Weintraub determinou que as visões do teólogo luterano Paul Tilich parecem representar um consenso viável. Tilich argumentou que a necessidade de salvação é universal e o “poder salvador” de Deus tem de estar em todos os lugares. Ao mesmo tempo, ele afirmou que os planos de Deus para a vida humana não precisam ser os mesmos que seus planos para os alienígenas.

Os evangélicos e os cristãos fundamentalistas provavelmente têm a maior dificuldade em aceitar a descoberta de vida extraterrestre, indica a pesquisa do astrônomo. “… a maioria dos líderes evangélicos e cristãos fundamentalistas argumentam bem forçosamente que a Bíblia deixa claro que a vida extraterrestre não existe. De sua perspectiva, os únicos seres vivos, adoradores de Deus, em todo o Universo são os humanos, criados por Deus, que vivem na Terra.” O evangélico batista sulista Billy Graham foi uma proeminente exceção, que afirmou que ele acredita firmemente que “há seres inteligentes como nós bem distantes no espaço que adoram a Deus.”

Weintraub também identificou duas religiões – o Mormismo e o Adventismo do Sétimo Dia – cujas teologias abraçam extraterrestres. No Mormismo, Deus ajuda a exaltar almas inferiores para que elas possam alcançar a imortalidade e viver como deuses em outros mundos. E Ellen White, que co-fundou o Adventismo do Sétimo Dia, escreveu que Deus deu a ela uma visão dos outros mundos onde as pessoas são “nobres, majestosas e amáveis” porque elas vivem em estrita obediência aos mandamentos de Deus.

Estamos prontos?

Em resposta à questão “Estamos prontos?” Weintraub conclui, “Enquanto alguns de nós afirmam estarem prontos, uma grande parte de nós provavelmente não está… Muito poucos dentre nós têm gasto algum tempo pensando bastante sobre o que o conhecimento real sobre a vida extraterrestre, seja de vírus, criaturas unicelulares ou bípedes pilotando espaçonaves intergaláticas, pode significar para as nossas crenças pessoais (e) nosso relacionamento com o divino.”

“JESUS foi um EXTRATERRESTRE ILLUMINATI?” veja as EVIDÊNCIAS neste VÍDEO:

 

Publicado por David Salisbury na Vanderbilt University
Traduzido por Bruno Martini
Editado por: Arquivo X do Brasil

 
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2 comentários

  1. Precisamos trabalhar o nosso eu, o valor íntimo, aprender o que é amar, ser bons. Acredito também que o tempo é cura de todo o ser humano, mas o tempo está ficando curto, já se foram dois mil anos, tudo que o Cristo nos deixou, foram formas de melhor conduta, estamos acabando com o nosso Planeta. O que foi que aprendemos ? Quase nada. O mundo segue com a sua transformação, mais hora ou menos hora, é fato, receberemos visitas, para o melhoramento de todos. Não sabemos qual o nosso destino, só cabe ao Criador. Se estamos preparados para receber outros irmãos, ” Só o amanhã nos revelará “

    1. Quem viver, verá!

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